Mutretas e monaretas

Sunday, September 11, 2011

1000 vezes...

1000 vezes perdoar um vacilão do que uma única um canalha.Esse mote tem norteado meu vesgo passar pela vida mas nem sempre o norte é para onde minha bússsola aponta.Perdi amigos e amores, fui menos amado do que amei.Travar a si mesmo é se manter incorrendo nos mesmos velhos erros, é jogar pela janelas suas melhores chances e ainda culpar outros por isso.O destino se resume a óbvia consequência de escolhas, o pior resulta da falta de coragem de buscar o melhor.
Acreditei piamente em quem eu queria e não em quem merecia.Fiz ouvidos moucos aos avisos dos meus raros amigos e mergulhei de cara no chão frio.Dentes quebrados viram presas para quem já não aguenta mais chorar baixinho.Viver em fúria é 1000 vezes melhor do que sobreviver em auto piedade. Esta é a morada dos covardes, onde tive apartamento e vaga na garagem.Fui eu!Mea máxima culpa!Todos os canalhas foram convidados á minha festa, todos beberam de minhas melhores expectativas.As resteiras estavam previstas, eram talvez queridas.Me ajudavam a construir o argumento de que meu inimigo era o mundo e não eu.
Me tornei um tipo estranho de masoquista, que devora os detalhes das vezes em que fui traído e que os repente baixinho.Não pela chance de aprendizado, mas pelo doce sabor de estar por baixo e de lá pedir piedade.Implorar por mais castigos e ser digno de pena.
No fim eu pedôo o vacilo, eu alimento mais um capítulo e vou me traindo e traindo e traindo....

Tuesday, March 02, 2010

Sério?

É incrivelmente engraçado pensar que os "verdadeiros roqueiros" dos anos 70 detestavam disco music. A mesma música que havia saído do gueto gay/negro/latino moveu os dois do underground para o mainstream com menos de trinta anos de diferença e ainda assim havia algo de mecânico demais e liberal demais no que a disco causava.
Hoje é a mesma ladainha em relação a música eletrônica e os "verdadeiros roqueiros". Punks, pra mim, são os descendentes de jamaicanos nascidos numa Grã-Bretanha intensamente racista que os renegou ao terceiro plano. Esses caras inventaram o ska, que foi a base mais marcante entre bandas como os Sex Pistols e o Clash. Mas, ainda assim, o título, a grana e o hype cairam no colo dos meninos bonitinhos que andavam desempregados na mesma Londres, cercada de Handsworth por todos os lados. E é claro que ela foi palco de uma pequena revolução em 77, mas aí já era tarde demais.
Aí o primeiro dos Pistols saiu e a modinha dominou o mundo. E mesmo os filhos da elite quatrocentona paulista podiam se dizer punks, com seus ternos coloridos, cabelos tingidos e frases de super autoafirmação. Tudo isso é história que continua se repetindo nas frases ridículas sobre a chatice que é o hip hop, o rap e aquele bando de caras que falam se movendo demais, que tem dentes de menos e uma atitude meio, tipo... roqueira?!?

Wednesday, August 12, 2009

Causo

Ele vê a presa e prepara o ataque,meio de lado, vencendo no baque, a fera pronta p/o abate,é carne na mesa,contento. Confusão.Quem fica com a melhor parte,quem manda nas coisas e quem late,quem chegou atrasado e ainda comeu?Mas eis que surge um urro de atitude.Disparado de modo muito rude,por algum que armou as arapucas,rastreou ou prestou mais atenção.O guerreiro que teve pau p/ andar no mato,já foi até um dos pacatos,comia quieto e calado, até que faltou ali no prato.Aí ele quis gritar.Aí ele quis altercação.Foi entrando logo no contra vento.Para a caça não sentir o seu cheiro,já entrou preparado. Os ouvidos abertos e o bico calado,olhos mirando apertado e o tacape bem firme na mão.Não matou, mas catou bem a cena: algum comparsa de mão mais certeira,bateu forte que o sangue espirrou.Derramou quente uma gota pequena,que bateu forte e ainda cheia de vida, e a carne em volta queimou.Foi nessa mesa,comendo,que foi decidido o destino.Vai primeiro escolher o seu naco:Os que foram saindo do ninho,encarando as entranhas do medo.Matando não por prazer e nem a passeio.Apenas e somente p/ poder existir.

Sunday, July 12, 2009

Far,gone and out...

E como se fosse feita de puro ar,ela se vai.Deixando a boca seca, o peito pesado, as pernas trêmulas,milhões de borboletas voam em seu estômago.Tudo que resta são lembranças;nítidas como fotos,embaçadas como sonhos e reincidentes como a febre que sempre acompanha a paixão.
Saiu do aeroporto lívido,como se fosse acordar a qualquer momento e olhar ela dormindo,o bichinho,todo encolhido e indefeso.Ele lembra das promessas silenciosas de proteção e cuidado que a imagem lhe desperta..."Será que ela levou os remédios?Casaco?"pensava,já não podia dizer mais nada com urgência ou ao menos receber resposta.Tomou a condução calculando os dias que faltavam, as horas e minutos.Deprimentes,todos eles.Números longos e frios,conversando animadamente numa mesa de bar como os casais,os detestáveis casais felizes que iam habitar os lugares onde iria para esquecer um pouco da saudade.
Ao fim do dia,um telefonema.Um sinal claro,aquela dor era mútua!Sim!Morreriam os dois de amor,enfim um final adequado para um romântico.Mas ela soou tão feliz,que ele se irrtou.Famílias são adendos ridículos, Montéquios e Cepuletos que não entendem as ligações eternas e caras bobas pela casa.Nunca compreenderão os verdadeiros românticos,eles pensam em comprar roupas e fazer almoço.Tolos.
No final ele dormiu o sono dos que esperam,dos que anseiam,dos que podem viver a doce dor do amor correspondido de longe, porvir é o apelido do romance.

Monday, May 11, 2009

Em fila...

Meio dia e meia.Hora de pegar a senha, "shut up and drive" do Deftones se propõe aos meus ouvidos.Todos os rostos que olho estão cansados.Menos as duas crianças vestidas em uniforme escolar,devem achar tudo aquilo divertido.Um playground de gente,onde se pode gritar,chutar e esbarrar.Mais dois pontinhos no volume o a estridência de suas vozes é reduzida a um chiado por entre os acordes.Melhor compra de minha vida mental esse Walkman.
O guichê abre junto com "beau mot plage" de Isolée,e a sincronia exata do minimal que ouço rivaliza com a corrida daquela gente entediada e réfem em direção da frente,seja essa frente de lado,pisando no meu pé ou aos empurrões.O importante é marcar de alguma forma a idéia de ser atendido mais rápido do que o próximo coitado que precisou usar dos serviços do sistema.Um momento antológico de cidadania e fraternidade,como a saída de um derby hípico.
Temos os idosos e as grávidas na liderança,seguidos dos faladores (maravilhosamente mudos para mim) e de seus acompanhantes caronistas de documentos.Amizades se reacendem,fofocas são contadas e falsas gentilezas são as moedas de troca de quem precisa se alocar dentro das folhas xerocadas.
"Ashes to ahes" de Bowie é a senha certa para que eu me sinta um "Major Tom",um astronauta sonoro preso nm planeta hostil habitado por seres incompreensíveis,que tem faces famintas e dentes pontiagudos.Minha sorte é que estes parecem se alimentar de tempo,porque é esse o tema recorrente de minhas leituras labiais.Nunca há tempo o suficiente nesse planeta,todos temos algo mais útil à fazer.Me confirma Chico e seu "Pedro pedreiro",mas o trem chega,tem de chegar.
É minha vez,digo boa tarde e a senhora atendente parece surpresa com meu contentamento e doçura.Sou atendido e deixo meus companheiros de cela com "In tha Hood" do Wu tang clan,gangsta rap,filas e caras de fome são relacionados em alguma forma de análise.Ou eu simplesmente já alucinei depois de três horas.O que será que sobrou do almoço?

Chuva

Estava ensopado.Podia ouvir claramente o tchop,tchop das meias na palmilha dos sapatos,por serem verdes, o som fazia imaginar que havia calçado sapos.Não evitou o sorriso.Fez uma prece silenciosa ao deus que manda você lembrar de pôr calças num dia nublado,agradecendo pelo préstimo de um raciocínio simples,mas que serviu o propósito de manter o celular intacto.Podia ligar para um táxi ou simplesmente receber uma ligação,se sentir moderno e conectado no meio de um urro primal de uma natureza que declarava "enxaguar' por sobre ele.
Sua mãos e queixo tremiam,a caminhada se transformara em marcha e os" filmes em que chove cântaros" eram o tema do jogo mental.Lembrou também do calor da cama de manhã, e do pão quentinho da padaria próxima.Qualquer fuga era válida e os trovões pareciam querer lhe tomar até o mais ínfimo silêncio reconfortante,sem falar no som das águas que escorram por todos os cantos das ruas,ou melhor canais, que os esgotos entupidos oferecem aos habitantes da antiga Princesinha do Sul.
Finalmente avistava o portão de entrada e calculou as remotas possibilidades de eletrocução ao tocar na campainha com o dedo molhado.Seria uma morte idiota e o deus que evita mortes idiotas ainda perecia estar do seu lado.Tocou mas não ouvia o zumbido,tudo mais parecia gritar.
Viu a luz da varanda se acender e ela sair curiosa,apertando os olhinhos para o portão.
Ele pigarreia e diz:
- Oi! Sou eu!
Ela se surpreende sorri e atesta o óbvio:
- Que chuva hein?
Ele não evita o sorriso e sente o peito aquecer...

Palco

O dia foi lento,quase sufocante. O calor de março ainda não se transformara em àgua,e a passagem de som marcou a certeza do mais estrondoso fracasso.Cruzei com a musa assim de lado,quase saindo de cena,sorriso amarelo e aceno sem jeito.Sem certezas, apesar de tanto ensaio.
Horas e horas viraram minuto e segundo,garganta seca.Medo e desejo.Como a primeira menina que disse "sim" ou a última que disse "não".É tudo normalíssimo,todos os outros parecem constantes e cientes do que fazer,mas as letras das minhas próprias canções dançam uma ciranda confusa que embaralha meu parco senso.Tomo um outro copo d´água,acendo um outro cigarro e me concentro na melhor parte do concerto;estar junto.Fazer parte de algo maior e melhor do que eu mesmo.
Troca de roupa,troca de persona.Agora o artista deve tomar o lugar dessa gelatina anódina de mim,ele tem de ter a confiança dos loucos e a cara de pau dos necessitados que nos abordam de mesa em mesa para vender sua tosca escultura de eraldite.Há algo a ser dito por ele,e finalmente uma platéia disposta a ouvir.
Subo por entre meus "pseudo fãs"tentando parecer sério e resignado como um revolucionário de arma na mão,me sinto um condenado, subindo no cadafalso.Roupa errada,a garganta seca e o calor me faz suar todas as esperanças...fico lívido à espera do carrasco.
As guitarras rugem para mim,o baixo comenta e a bateria dá o tranco,me sinto enforcado.Todo mundo some e sobram eu e a musa,ela está linda como sempre.Preciso dizer isso à ela,abro a boca e a canção começa,acho que finalmente tem algum artista para preencher minha parte do palco.

Wednesday, May 21, 2008

Boletim

São 05:11 min. da manhã e eu estou só.Destituído não apenas de compania, mas de sono, de objetivos,de completitude enfim.As manhãs parecem sentenças; declarações de culpa a inércia de um tempo inútil gasto nessa existência.
A fase é difícil.Sem nenhuma outra chance me ponho escrevendo para preencher momentos,mas eles parecem desacelerar a medida que escrevo.É como se alguém soubesse do meu desejo e sorrisse da minha angústia.
Tempo.
Vento.
Lento.
Sento.
Bebo.
Escrevo.
Não esqueço,eu lembro.
Todo esforço é nulo.Por mais que eu me esforce,engulo.Angulo um canto para me esconder da dor.Preciso de dinheiro,carinho e amor.Mas não há mais chance.Só nuances,relances de uma vida que não posso ter.
Só mesmo a insônia parece querer dormir comigo.Ela dorme e eu vigio.
Ligo as luzes de novo,procuro entre papéis velhos,cutuco as feridas,ponho nelas mais remédios.Ainda que não faça efeito,ainda que só haja mais um jeito.
Matar mais um pouco de mim mesmo e sorrir de volta para o tempo.

Thursday, January 03, 2008

Os dias

Fazem meses que eu não vejo você.Já parece lógico,plausível e palpável que nossa vida juntos é uma memória sumindo no horizonte;o barco partiu e com ele tudo de bom ou ruim.

O gosto amargo da dor me deixou,a vida abriu o braços e me leva no seu colo para os anos eu ainda tenho.Existe até a possibilidade de voltar a me sentir amado por alguém que não você.Mas é no seio desses novos dias que a coincidência, ou mesmo a inconsciência da sua perda,traz de volta o muito que não pude dizer,a noção que ainda orbito seu mundo,mesmo que na forma de alguma radiação.Fraca demais para ser sentida e que não é percebida por ninguém à olho nu.

Homens são meninos que cresceram perdendo seus sonhos;são sombras de esperanças não realizadas;são obras incompletas;paredes no reboco precisando de cal,mas esse sou eu,o exemplo vivo dos grandes planos que deram errado,pior:dos não tentados.Os caminhos possíveis para mim sempre foram os do coração:logo aqueles mais fadados ao fracasso.E eu fracassei fragorosamente em cada relacionamento que tentei;por muito,por pouco,por qualquer coisa que o valha,a minha chance nunca parecia chegar.

Quando você chegou na minha história,eu já estava calejado,treinado e adestrado.Eu era uma colagem de pedaços de relações que se mantinham coesas por pura fé.Fé em qualquer espécie de vínculo em que eu não ficasse só.Claro que já sabemos dos capítulos e do desfecho dessa ópera:ela fechou mais cedo por falta de público,os atores ficaram na rua e o empresário sumiu com a bilheteria.Então porque é que ainda me assombra?Qual o esconderijo dessa mágoa?Como tirar ela de lá?

Não sei de nada,me sinto como se dividisse um espaço ínfimo com um completo estranho.Esse que canta, que não me deixa dormir,que te detesta e tem um prazer sádico em relatar os seus erros e se fazer de vítima,o que odeia a existência desse outro,invejando e desejando,aquele que ainda tem lágrimas para chorar.

Passo bons dias sem vê-lo.Tenho estado ocupado,construindo alguma coisa mais palpável do que boas lembranças.O futuro se transformou em agora e agora eu não tenho nem presente.Natal de luta,sem mesa de frios nem canção batida.Uma data a mais a se riscar.Ser frio se tornou sinônimo de ser forte e tudo se torna mais claro;o mundo é cruel e louco,todos trabalham por si, e só existe sonho onde se tem chão.Mas eu ainda tenho de sorrir,de ser amigo,filho,irmão,tio e mais do que tudo pai.E é aí onde o outro volta,onde ainda posso ver você,onde eu me torno ele e os dias demoram de passar.

Old writers and their filthy needs

O velho escritor sai à rua em busca de algo p/ morder,em ambos os sentidos.Na sua atual condição financeira isso parecia mais difícil do que todas as proezas de Heminguay ,incluindo o suicídio;mas a punheta já havia se tornado um grande exercício de lembrança,e as lembranças retornavam p/ as curvas da mesma mulher,e essa; nunca seria sua.

Eram apenas 10 da noite,as luzes dos bares de sempre pareciam mais convidativas;um bom papo sobre qualquer coisa,uma conta gorda e algumas doses de uísque chamavam seus sentidos e faziam sua boca salivar.Mas o “chefe” queria sexo,de preferência com alguém mais jovem e menos inteligente,uma foda casual,algo que pudesse alimentar a chama fria dos seu mundo cinzento que cheirava a solidão e livros velhos.

Cruzou dois quarteirões,e começou a ouvir música vazando pelas paredes das boites à sua frente.Havia uma imensa fila de crianças vestidas como nos filmes do Flash Gordon,com seus olhos pintados e expressões vazias;”um playground de manequins” pensou ele.

Mentiu descaradamente sobre uma filha adolescente,falou em polícia e política e entrou sem maiores delongas.

É claro que ele já havia estado em clubs antes,mas os anos,as drogas e as pessoas eram outras.Ali ele pôde sentir exatamente,o que Isaac Asimov descrevia em seus contos.O futuro tinha luzes demais,sons demais e as drogas melhoraram muito.Andou aturdido até o bar, pediu uma vodka gelada e assim que tomou o primeiro gole,ouviu um grito atrás de si.

No meio de uma boite cheia de menores,era apenas comum,mas o gritos se aproximaram dele e tomaram a forma de uma linda menina.Era o sinal de que alguém o reconhecera,ou que ele além de velho,ele também estava senil.

Sua sorte pareceu sorrir,eram 15 anos de seios firmes,boca carnuda e coxas de bailarina.15 aninhos de “Me apaixonei pelos seus contos” e “Você me acha muito nova?”.Tinha de lembrar das frases mais simples, dos olhares e toques eventuais.Uma arapuca confusa que ele treinou como qualquer homem feio p/ ver se conseguia sexo sem ter de pagar,estava dando certo,conseguiu convencê-la a voltar a sair dali com ele.Tudo o que faltava era um lugar onde esconder o corpo...